Casa de apoio a imigrantes e refugiados é criada em Brasília
Uma casa de apoio para acolher imigrantes e refugiados foi inaugurada em Brasília nesta quinta-feira (8). A Casa de Direitos começou a funcionar no Conic, na região central da capital, e é coordenada pela Cáritas Brasileira, entidade de promoção e atuação social ligada à Igreja Católica.
Uma equipe com psicólogos, assistentes sociais, educadores e advogados vai oferecer atendimento jurídico, acompanhamento psicossocial e capacitações profissionais. No local, estrangeiros poderão ter aulas de língua portuguesa, cultura brasileira, legislação trabalhista, economia solidária, empreendedorismo e inclusão digital – tudo de graça.
“Não vamos substituir o Estado, mas temos a missão de acompanhar os migrantes juntos aos órgãos para que eles tenham acesso aos mecanismos públicos”, disse o gestor da Casa, Wagner Cesário.
A unidade também vai oferecer auxílio para a realização do Protocolo de Solicitação de Refúgio, emitido pela Polícia Federal. Com o documento, os refugiados podem emitir CPF, carteira de trabalho e têm direito à previdência social.
Quase 100% dos que chegam ao Brasil não tem acesso aos serviços básicos oferecidos pelo governo, porque não dispõe do documento que reconhece a condição de refugiados”, “Como não existe este tipo de controle na fronteira, eles podem entrar como turistas”, completou.
Fernando Zamban – Coordenador da Cáritas Brasileira.
É o caso de Andrerobert Lunga, de 36 anos, que aguarda uma resposta do conselho desde 2012. Ele veio da República Democrática do Congo há oito anos para estudar no seminário da Igreja Católica em Mogi das Cruzes (SP).
Em 2011, Lunga chegou a retornar ao Congo, mas foi preso no aeroporto. “A polícia roubou meu dinheiro e fui perseguido no meu próprio país.”
No ano seguinte, ele voltou ao Brasil para continuar nos estudos, mas os padres recomendaram que ele voltasse ao país de origem.
“Chegaram a comprar passagem para mim, mas pulei o muro e fugi. Voltar era me entregar para a morte.”Andrerobert Lunga
Foi quando ele pediu ajuda a amigos e conhecidos brasileiros e veio morar em Brasília. Lunga trabalhou como professor de francês, auxiliar de escritório e transportador de cargas em um supermercado atacadista. Agora, conta com o apoio da Casa de Direitos.
Cartaz de boas vindas da Casa de Direitos, da Cáritas Brasileira em Brasília, de acolhimento de imigrantes e refugiados — Foto: Luiza Garonce/G1
A ideia é que a Casa seja, também, um espaço de integração entre os migrantes. O espaço recebe apoio financeiro da Fundação Banco do Brasil e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
Moradia subsidiada
A Cáritas Brasileira também vai oferecer moradia subsidiada por seis meses a refugiados abrigados em Roraima. Eles poderão escolher Brasília ou uma das outras seis capitais do país onde há uma Casa de Direitos — Boa Vista, Porto Velho, Recife, São Paulo, Curitiba e Florianópolis.
Até o fim de novembro, Brasília deve receber 102 refugiados sob esta condição. Eles vão viver em apartamentos em São Sebastião. A ideia do projeto é “promover a integração” desses imigrantes com a população brasileira.